Inverno 2012, Fashion Rio, primeiro dia.

Foto: Agêngia Fotosite, bastidores do desfile Da Herchcovicth
Foram apenas 5 desfiles (Herchcovitch, Acquastudio, Patachou, Alessa e Cantão) ontem no primeiro dia de Fashio Rio, mas já dá para se ter uma ideia das propostas para este inverno. Na verdade, nada é muito novo – e olha que essa não é uma reclamação, só uma constatação.
Provavelmente você já tem em seu armário alguma coisa que será moda. Sabe o motivo? Com a disseminação dos blogs de streetstyle, você consumidor de moda, acaba se informando diariamente e vendo em tempo real o que está sendo usando nos principais centros de moda do mundo; as marcas daqui incluem essas propostas em seu mix de produtos com uma rapidez cada vez maior (como fazem as marcas de fast fashion) e você consome antes mesmo que uma determinada proposta seja claramente mostrada nas passarelas. Às vezes um modelo, estampa, textura ou cor está nas ruas há pouco tempo, mas você já viu tanto que parece notícia velha (ruim para quem gosta de usar as tendências enquanto elas são realmente só tendências (caminhos/propostas) e ótimo para quem busca amparo na disseminação e consenso destas tendências, a tal da moda). Bom, mas vamos lá, que isso é papo pra outro post…hahaha.
Neste “explicadinho fashion” eu conto pra você quais são os caminhos pro nosso inverno e o motivo de nos estarem sendo apontados. Quais seguir ou não, lembre-se sempre, é com você consumidor de moda – que nunca vai me ouvir falando “tem que usar” ou “tem que ter”. O seu poder é muito maior do que imagina – é você quem faz tendências (caminhos e propostas) se tornarem moda (consenso). Vamos lá! Ah, e antes de seguir: todas as fotos deste post são da agência Fotosite pro site da Elle, que faz uma cobertura excelente e didática, vale conferir!
1) Texturas e cores: vimos riqueza nos materiais, e cores mais comportadas.
Em tempos de indulgência pessoal (inclusive pela popularização do luxo, digamos assim) e de altíssima importância dada à imagem (não é à toa que estamos fascinados com os blogs de look diários e a fotografia do cotidiano explorada em redes sociais como o Facebook – hoje o maior banco de imagens do planeta), faz sentido propor o uso de recursos que nos deixem com um visual mais elaborado e e também mais cosmopolita (daí a mistura de etnias e culturas que estamos vendo há pelo menos 10 anos e devemos continuar vendo…).

Se as formas não estão assim tão extravagantes e nem se está propondo misturas muito descombinadas (pelo menos no quesito cor – veja nas imagens acima como tudo está coordenado em tons das mesmas cores), fica fácil identificar que o brilho continua muito presente:
- rendas com efeitos brilhantes (como na foto do canto superior à esquerda, do desfile da Acquastudio)
- nos tecidos em si, através dos efeitos metalizados (um ótimo exemplo é o tecido com estampa de bolas da saia da Acquaestudio que aparece no mosaico de fotos acima)
- nos paetês que se deslocaram para parte de baixo do corpo (olha só o detalhe dos sapatos desfilados na Acquastudio)
- nos tecidos bordados com fios brilhantes, como parecem em vários momentos no desfile da Patachou (as duas fotos superiores à direita)

No mosaico acima, você vê mistura de materias, de tecidos, de texturas e de estampas: couro com renda, amassados com bordados, flores com xadrez, étnico com étnico. O que une todas as misturas é o uso de combinações de cores mais acanhadas ou tranquilhas, seja por que estão sendo usados tons mais opacos que apagam o contraste presente na combinação de laranja com roxo (que vira caramelo com uva no look da Cantão, que mistura xadrez e flores), ou por serem combinações monocromáticas, como o look todo branco também da Cantão, ou todo preto da Herchcovitch. Sensação de combinadinho, traz segurança para o consumidor de moda, e faz sentido porque organiza o caos que reinava em estações anteriores e até mesmo o caos visual que se tornou nossas vidas (ou vai dizer que você não se cansa com o número tão grande de palavras e imagens às quais você tem estado exposto ultimamente).
2) Formas: vimos uma vontade enorme de ser gente grande, sem deixar de lado o visual feminino.
A formas são adultas: não que as saias curtinhas de babados, ou manguinhas bufantes, ou colarinhos Peter Pan, não estejam dando o ar da graça por aí. Sim eles estão. Mas as formas mais adultas vem sendo resgatadas pela turma da moda há um tempinho. Faz sentido: estamos começando um processo de valorização da maturidade, inclusive na beleza (mas claro que ainda temos que caminhar muito), o mundo está cada vez mais velho e esse é um processo que parece não ter reversão. Como manter um padrão estético tão jovem, eu diria quase infantil/teen, quando a grande massa consumidora da população estará cada vez mais madura? Eu particularmente gosto da ideia de misturar as duas coisas pra obter um visual muito singular, e um dos recursos usados e que ressalto no mosaico abaixo é a assimetria.

Particularmente, amo assimetria e essa é uma marca registrada da jus. (minha marca de moda com Justine Armani), pois traz o inusitado e a diversão mesmo às peças mais comportadas (lembra da blusa e do vestido Glória? Eles estão aqui neste post com o nooso Look Book de alto-verão). Ontem, nos desfiles, ela apareceu bastante nos vestidos com uma manga só, nos decotes, nas saias com a frente mais curta, e nas saias com assimetria lateral na barra.

Outra forma muito presente nos desfiles de ontem foi a cintura marcada mais alta (não que a baixa esteja excluída, pelo contrário, ela aparece e você vê nas fotos abaixo), característica das décadas de 40 e 50. Ela traz polimento ao look, organização, feminilidade e até um toquezinho de caretice – por isso a assimetria e a mistura de materiais fazem tanto sentido, são um contraponto.

E olha só as modelagens com cintura mais baixa ou sem cintura marcada, mais retilíneas, mais próximas de uma silhueta masculina. Elas tem um perfume de Paul Poirret (seu vestido amarelo parece ter sido inspiração de algumas coisas nos desfiles de ontem) e de começo do século passado – estamos falando do inicio da liberação feminina. Ela trazem a ideia de liberdade (lá o espartilho estava sendo retirado das nossas vidas, amém!). Aqui, estamos falando de conforto e de leveza, e de um ótimo recipiente para as referências étnicas (assim como também fez Poirret em suas criações).
Se eu pudesse resumir esse primeiro dia: roupa de gente grande, porém atrevidinha. Mas vamos ver o que os outros desfiles e o SPFW irão nos propor (particularmente acredito que muito do que vimos aqui vai se repetir).
Por hoje é só! Obrigada pela visita e até a próxima!
Beijos!